Para João do Rio, cronista que melhor observou o Rio de Janeiro capital da república, no início do século 20, poder-se-ia, aos poucos, detalhar a alma nacional nos estandartes dos cordões – hoje chamados blocos – de carnaval. “Os cordões são os núcleos irredutíveis da folia carioca, brotam com fulgor mais vivo e são antes de tudo bem do povo, bem da terra, bem da alma encantadora e bárbara do Rio”, escreveu em artigo publicado pela revista Kosmos, em janeiro de 1906.
cultura brasileira
Sobre a promoção e proteção das expressões culturais populares e tradicionais, o Acesso conversou com o sociólogo Marcelo Manzatti, que preside o Fórum para as Culturas Populares e Tradicionais.
Às vésperas do aniversário de 50 anos do golpe, se tem podido assistir inúmeros debates, seminários e outros eventos promovidos em torno do tema.
Para Felipe Ferreira, professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ e coordenador do Centro de Referência do Carnaval, o crescimento do carnaval de rua deve-se à liberdade de expressão proporcionada pelos blocos. “Vivemos em um período em que a principal questão cultural é a diversidade. O bloco de rua está mais próximo da criação de cada um. Você pode organizar seu bloco, fazer sua fantasia, criar sua marchinha, ir a mais de um bloco no mesmo dia. Há uma grande diversidade de escolhas”, explica o professor.
Candomblé, umbanda, tambor de mina, batuque, nação, quimbanda, xambá, omolocô, pajelança, jurema: as religiões de matriz africana e indígena compõem, no Brasil, um cenário amplo e plural. Para melhor compreender tal cenário e conhecer a realidade das comunidades tradicionais de terreiro, foi realizado o projeto Mapeando o Axé.