Mobilização social: Construir com o outro as soluções dos problemas

mobilização social pela educação

* Publicado originalmente no Blog Educação no dia 8 de outubro de 2014.

A ideia de mobilização social pela educação tem como fundamento a concepção de educação tanto como direito quanto como dever de todo cidadão, pressuposto do qual parte o Plano de Mobilização Social pela Educação – PMSE do Ministério da Educação. Assim, famílias e comunidades têm o direito de reivindicar que a escola dê uma educação de qualidade para todos e cada um de seus alunos. Da mesma forma, apoiar a escola e se aproximar dela é um dever da família.

Para o gestor de desenvolvimento social do SENAC-SP, Jorge Duarte, o caminho para a aproximação entre escola, famílias e comunidade é construído ao se tecer redes de interações sociais. “Precisamos muito dialogar com o outro e construir com o outro as soluções dos problemas”, diz o gestor em entrevista ao Blog Educação. Leia a íntegra a seguir.

Blog Educação – Por que é importante mobilizar famílias e comunidades para que se atinja a melhoria da educação no Brasil?
Jorge Duarte – O processo de melhoria da educação no Brasil poderá ocorrer pelo processo de mobilização política. Política no sentido mais nobre da palavra, no sentido da participação, da responsabilidade de assumir o papel de cidadão transformador da sociedade. Famílias e comunidades têm um vasto conhecimento que precisa ser compartilhado. É preciso mais interação entre as pessoas, promovendo mais redes e dessa forma mais inovação e contribuição com a sustentabilidade. Entendo que o conhecimento pode se desenvolver fundamentalmente em duas ações, estudando e se conectando a outras pessoas e a outras redes. Não falo aqui necessariamente das redes sociais, que muitas vezes pouco interagem. Falo do interagir dialogando como forma de construir novas ideias e pensamentos.

Blog Educação – Quais os principais desafios dessa mobilização?
J. D. – O principal desafio está em quebrar o “chip” da hierarquia que está instalado em cada um de nós. Convivemos com uma cultura não da interação, mas sim da hierarquia. Essa experiência trazemos da família, do exército, da igreja e das corporações onde trabalhamos. Precisamos achatar essa pirâmide desobedecendo poderes estabelecidos e, para isso, além de quebrar o nosso “chip”, precisamos muito dialogar com o outro e construir com o outro as soluções dos problemas. Fazer redes é o caminho. Temos que praticar cada vez mais o trabalhar em grupo e replicar esta ideia por todos os lugares.

Blog Educação – Que caminhos uma pessoa poderia buscar para se engajar na mobilização pela educação?
J. D. – Múltiplos são os caminhos. Participar do conselho de escola é uma oportunidade ímpar de estar em contato com a realidade escolar e poder atuar sobre ela. Mas é preciso modificar a forma como muitas vezes esses conselhos se posicionam, geralmente de forma punitiva e apontando o que os outros têm que fazer. É importante ser protagonista e investir naquilo que cada um pode fazer e estimular os outros a serem voluntários. Também é importante lidar com a diversidade e transformá-la em oportunidades. Associações e ONGs também podem ser lugares onde as pessoas podem se engajar para trabalhar a educação. Mas criar movimentos próprios como cuidar de uma praça ou da sua própria rua e envolver outras pessoas para agir diretamente sobre soluções de problemas pode ser a forma mais efetiva de trabalhar pela educação.

Blog Educação – Como o conceito de cidades educadoras está relacionado ao tema?
J. D. – O conceito de cidades educadoras está diretamente ligado pois esta promove uma educação destinada a favorecer a diversidade, a compreensão, a cooperação e a paz evitando todo tipo de discriminação e ainda valoriza a participação do cidadão em projetos coletivos que promovam o desenvolvimento social. Falta nessa equação uma participação mais efetiva do poder público nos movimentos sociais. Porém se não for para interagir, compartilhar e aprender é melhor que fique no lugar estanque que se encontra do que trazer definições burocráticas e autoritárias para um tema tão precioso e que precisa de tantos cuidados como a educação.

 Bernardo Vianna / Blog Educação 

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