Retratos da leitura: Metade dos brasileiros assume que não lê

* Publicado originalmente no Blog Acesso no dia 03 de abril de 2012. Em 2016, nova edição do estudo foi lançada e disponibilizada aqui.

Recentemente divulgada pelo Instituto Pró-Livro, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil é tida como o mais abrangente estudo sobre o comportamento do brasileiro em relação à leitura. Em sua terceira edição, a pesquisa revela que a média de livros lidos por habitante no Brasil é de duas obras completas por ano, além de outras duas lidas parcialmente, número que inclui os livros obrigatórios requisitados em sala de aula.  Ainda que, segundo a pesquisa, o consumo de livros tenha aumentado, metade da população brasileira não tem o hábito da leitura, número maior do que o observado na última edição da pesquisa, publicada em 2008.

Apresentado em Brasília na última quarta-feira, dia 28, o resultado da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil causou repercussão em audiência pública da Comissão de Educação e Cultura da Câmara. “O Ministério da Educação – MEC tem muito interesse em fazer um novo encontro com o Instituto Pró-Livro e com o Ministério da Cultura, para que a gente redefina e qualifique um pouco mais as ações, juntamente com o Legislativo”, afirmou Suelly Teixeira Mello, representante do MEC na casa.

Em resposta, Karine Pansa, presidente do Instituto Pró-Livro, declarou: “o Instituto Pró-Livro tem como missão colaborar com todas as esferas do Governo e do poder Legislativo brasileiro, seja municipal, estadual ou federal. Por isso, se coloca à disposição dos ministérios da Educação e da Cultura para este encontro proposto pela representante do MEC, Suelly Teixeira Mello, e nesta árdua tarefa de fazer do Brasil um País de leitores”.

Ainda segundo Karine Pansa, o Instituto Pró-Livro pretende convidar especialistas para aprofundar o estudo. “Nenhum país se constrói fortemente sem educação e leitura. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil é um instrumento importantíssimo de avaliação das atuais políticas públicas voltadas à educação e à leitura. A partir dos resultados, podemos observar pontos positivos e aqueles que ainda carecem de atenção. Estamos diante de uma oportunidade ímpar para refletir sobre o que cada um de nós está fazendo e pode fazer em prol da leitura no Brasil”, disse.

Principais resultados da pesquisa

Entre junho e julho de 2011, o IBOPE Inteligência, contratado para realizar a pesquisa, entrevistou mais de cinco mil pessoas em 315 municípios. Para definir a amostra estudada, considerou-se a distribuição da população de mais de cinco anos pelas regiões brasileiras, conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 2009: Norte (8%), Centro-Oeste (7%), Nordeste (28%), Sudeste (42%) e Sul (15%).

Segundo os dados obtidos, existe hoje no Brasil cerca de 88,2 milhões de leitores. Para a pesquisa, foram considerados leitores as pessoas que leram pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos últimos três meses.  O estudo apontou ainda que é maior o número de leitoras, 57% das pessoas que leem no Brasil são do sexo feminino.

Entre as pesquisas de 2008 e 2012, os professores passaram do segundo para o primeiro lugar como principais incentivadores da leitura, ultrapassando a indicação da mãe como a responsável por despertar o interesse pelos livros. “As mães continuam sendo muito lembradas e quase empatam nessa positiva disputa, mas a subida importante do professor pode ser reveladora em relação a ações que estão dando certo. Na verdade, a pesquisa como um todo promove a oportunidade de identificar projetos bem-sucedidos”, diz Karine Pansa.

Quanto à motivação para a leitura, 55% dos entrevistados afirmaram que leem para a atualização cultural e aquisição de conhecimentos gerais. Por outro lado, 78% daqueles que afirmam estar lendo menos do que já leram apontam o desinteresse como motivo.

Retratos da Leitura no Brasil 2011

A região brasileira com a melhor média de livros lidos nos três meses anteriores à entrevista é a Centro-Oeste, com 2,12 exemplares. Também foi identificada melhora nos indicadores de leitura do Nordeste, que aparece na segunda colocação com dois livros nos últimos três meses. “Esses dados mostram o resultado de políticas públicas de incentivo e o retorno de muitas pessoas ao ambiente escolar”, afirma Karine Pansa. As demais regiões do Brasil mantiveram-se praticamente no mesmo patamar apontado pela edição em 2008. O Sudeste registrou 1,84 livros nos últimos três meses, o Sul 1,68 e o Norte 1,51.

“Ainda há muito que ser feito para conseguirmos chegar a um patamar ideal para um país como o Brasil, que tem potencial econômico forte e vigoroso, mas carece de melhoria nos indicadores de Desenvolvimento Humano e, em especial, nos indicadores de Educação, para deixar as últimas posições nas avaliações internacionais. Mas acredito que estamos no caminho certo”, concluiu a presidente do Instituo Pró-Livro.

Bernardo Vianna / Blog Acesso

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