Bernardo Vianna

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Arquivo da categoria ‘Poema’

Ao dono de terra

6 comentários

(pastiche de poema de Samih al-Qasim)

- Esta terra me pertence.
- Você pertence à terra.
- Acha que tem o direito
de violar estas cercas?
- Tenho a justiça
de quem tem fome.
- A raiva enrubesce a sua face.
- É a cor da terra.
- Use este facão para o trabalho,
eu o aceitarei como criado.
- Nunca mais serei explorado.
- Você é um criminoso.
- Não matei de fome,
não matei doente,
não matei à bala,
não acorrentei e não oprimi.
- Você é um miserável, é um cão!
- Os deuses dançam
quando canto um ponto,
eles reconhecem
a fé do rebelde!

Escrito por Bernardo Vianna

Publicado às 10:47 de 13/04/2009

Arquivado na categoria Poema

Etiquetas: direitos humanos, terra

Andaluza

1 comentário

às vezes desperto de algum sonho que é também memória de outras vidas das quais herdei meu amor pelos desertos e por aquelas figuras de fogo que dançam aquecendo o ar com sua carne sagrada e sobem ao céu escuro para brincar de guias de andarilhos e amantes clandestinos de lá se lançando e riscando de luz a noite para por fim dormir cobrindo toda a paisagem como se fossem poeira ou neblina pois quando desperto carrego comigo senão saudade de causar inveja a Deus ele próprio sempre tão solitário embora trace a coreografia do cheio e do vazio

Escrito por Bernardo Vianna

Publicado às 01:56 de 30/03/2009

Arquivado na categoria Poema

Etiquetas: poesia

1/f = 1/p + 1/p'

3 comentários

Chego mais perto de mim que chega mais perto
Através da barreira de vidro e prata
Expiro – embaço – quase sumo
Ao me afastar, me afasto de mim
Então cruzo olhares comigo
Mostro meus dentes para mim
Olho dentro da minha garganta
Falo em uníssono comigo
Mas não me toco

Escrito por Bernardo Vianna

Publicado às 13:12 de 04/03/2009

Arquivado na categoria Poema

Etiquetas: poesia

Venéreo (ou De Vênus)

3 comentários

surge em efervescência fresca
como ideia insurreta
no topo da minha cabeça
se lança em saltos entre os seixos
às baixadas onde dormem
subterrâneas as sementes dos desejos
primeiro é feito filete d’água
umedecendo o leito seco
mas transborda com a chuva a calha
e sem pudor se faz líquida e certa
ao mar que com sua chegada desperta

Escrito por Bernardo Vianna

Publicado às 12:08 de 19/02/2009

Arquivado na categoria Poema

Etiquetas: poesia

Vai acordar não?

3 comentários

desperta, pequenina
toma os florais
toma a homeopatia
toma o que te anima o dia
toma a pequena dose de melancolia
te ajeita e vem cá fora
te lava, não chora, birrenta
olha como já vai alto o sol
olha e desfaz esse teu olho sonolento
esse teu olho que insiste somente
no que é noturno e sonhado

eu sei, sonhos são teimosos
você foi sempre tão teimosa
você foi sempre tão sonho

Escrito por Bernardo Vianna

Publicado às 13:43 de 12/02/2009

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Etiquetas: poesia