Imprensa alternativa brasileira e a contra cultura
O jornalista Bruno Delecave é amigo de longa data, dos tempos de faculdade. Desde então, compartilhamos grande interesse pelo tipo de jornalismo comprometido em questionar as normas sociais e propor alternativas. Por isso, é com grande prazer que aproveito este espaço para falar de seu mais recente livro, “Imprensa Alternativa Brasileira e a Contra Cultura”, lançado em 14 de maio de 2011, pelo selo Luminária Academia, da editora Multifoco, aqui no Rio de Janeiro.
Bruno, que também é poeta, estreou no mercado editorial em 2007, com a publicação de Malícia & Babilônia, livro de poemas editado pela Ibis Libris. Foi, aliás, por meio da poesia que o jornalista ingressou no mundo das publicações independentes: “Durante a adolescência, aprendi a declamar poemas e, em seguida, comecei a escrever os meus. O resultado foram declamações no Rio e em algumas outras cidades do Brasil e a criação da publicação autônoma Malicear, onde divulgava meus poemas de maneira independente.” O jornalista também trabalhou no Pasquim 21, onde, segundo ele, se apaixonou por um tipo de imprensa iconoclasta e bem humorada. Quando veio o desejo de fazer uma pesquisa acadêmica sobre o tema, Bruno buscou, no estilo de seu texto, proporcionar uma leitura instigante e divertida, porém sem descuidar do rigor acadêmico.
Agora, com a licença do leitor, vou deixar o autor falar sobre sua obra:
Há quem diga que a contracultura acabou. Outros afirmam que ela é uma atitude, um ponto de vista, e nunca acabará. Já a imprensa alternativa parece ter migrado para a Internet, onde fica perto dos seus seguidores e longe dos seus inimigos. O livro Contracultura e Imprensa Alternativa no Brasil, do jornalista Bruno Delecave, resgata a memória do periódico Luta & Prazer e aborda a contracultura sob uma ótica ora histórica, ora sociológica, revelando suas ligações com o modernismo. O livro avança sobre a pesquisa da história da imprensa (alternativa) brasileira, colocando a peça que faltava para sua migração para a Internet.
Com introdução assinada pelo coordenador do curso de Jornalismo da PUC-Rio, Leonel Aguiar, o livro percorre as diversas fases da contracultura no Brasil e no mundo,
contextualizando o seu papel vanguardista através da história e situando-a na fronteira entre o moderno e o pós-moderno. Feito isto, o autor parte para as trincheiras do jornalismo alternativo brasileiro, em sua trajetória para escapar das garras da censura (de direita e esquerda) e adentrar dentro da década de 80 como uma nova esquerda, decidida a ter voz. “Recheado de fotos, entrevistas e sempre dialogando com diversos autores, o livro que Delecave nos dá de presente para o pensamento percorre essas questões e muitas outras. Uma leitura indispensável para o prazer da vida e a potência de viver”, e logia Leonel Aguiar.
Para o também jornalista Toninho Vaz, expoente da contracultura brasileira, a obra ultrapassa o mérito literário ao contribuir para a formação de um novo olhar sobre a temática e articular autores emblemáticos como Allen Ginsberg, Marcuse,Wilhen Reich, ThimotyLeary, Aldous Huxley, Luis Carlos Maciel, Paulo Leminski e Torquato Neto. “Ao registrar as cenas acontecidas nas correntes do engajamento, em maio de 68, Delecave direciona o olhar ao sentido oposto, na contracultura dos acontecimentos. Para isso, o livro vasculha a literatura pertinente: por suas páginas circulam com exatidão os gurus da nova (velha) era”, comenta Toninho Vaz.




