Entrevista: Brasil In Conserto

(Publicado originalmente na Revista BagreEdição de dezembro de 2009.)

A banda Brasil In Conserto irá se apresentar no próximo dia 19, no Parque da Uva, no Projeto Música Livre, que trará o Teatro Mágico para Jundiaí. Conversamos com Marcos Catossi, o Da Lua, idealizador da Brasil In Conserto, sobre seu projeto musical.

Como a banda se formou? Quando foi? Como os integrantes se conheceram?

A ideia de montar uma banda que pudesse, de alguma maneira, “reconstruir” o país, culturalmente falando, ou simplesmente apresentar ideias positivas ao público surgiu no meio de 2008, após uma audição da escola de música em que dou aula. Conheci alguns alunos com esse interesse em comum, convidei alguns amigos, outros amigos de amigos, e começamos a ensaiar. Sempre tive o sonho de ser famoso, mas com isso poder ajudar as pessoas, poder plantar ideias legais através da música. Porém, quanto mais eu ia conhecendo o meio da música (produtores, gravadoras, os próprios artistas), mais eu ia me decepcionando, pois tudo parece girar em torno de “sexo, drogas e falcatruas”. Decepcionei-me tanto a ponto de querer parar e estava prestes a desistir, pois não acreditava mais que um dia poderia ser alguém sem ter que deixar minha integridade de lado. Foi então que conheci o trabalho do Teatro Mágico. Vi aqueles caras fazendo arte, cultura, sem medo de serem felizes, sem medo de dizerem não à “prostituição” artística. Conheci-os aos poucos e, aos poucos, já estava dentro da casa do baterista deles, fazendo aulas de bateria. Foi quando ele me disse: “Dalua, se você acha que é capaz de fazer a diferença, então faça”. Pronto, parei de esperar as coisas acontecerem, fui atrás desse pessoal, alunos e amigos, e montamos a Brasil In Conserto em agosto de 2008.

Quais bandas ou gêneros musicais influenciaram o Brasil in Conserto? A apresentação da banda no site fala em pesquisa musical: vocês buscam uma linguagem musical própria?

Nos inspiramos em música brasileira de qualidade, queremos trazer ao povo as raízes da nossa cultura, com releituras de clássicos da música popular ou até mesmo da música moderna brasileira. Mas o principal ponto são as composições próprias. Nelas, sem deixar que a ideia de que tudo está sempre bem nos aliene, sempre deixamos uma mensagem positiva a quem nos ouve, mensagens de esperança, de que não adianta reclamar, tem que melhorar. E ninguém consegue melhorar, se estiver de mal com o mundo, não é mesmo? Então, como ponto de partida, vamos olhar para dentro e começar por nós mesmos. Em meio a uma população que insiste em falar mal do país, nós nadamos contra a maré e cantamos “Brasil terra boa pra daná”!

O que significa “Brasil In Conserto”? Qual a origem do nome?

O nome veio do princípio básico da banda: reconstrução. O trocadilho sempre confunde, ao contrário do que muitos pensam, não é BRASIL IN CONCERT, de concerto musical, é CONSERTO de consertar mesmo. É claro que a ideia do CONCERT não é nada ruim, pois fazemos música, e é justamente essa nossa ideia, consertar com música… doido né? (risos) E se você viu nosso logotipo deve estar se perguntando: “Brasil com Z? E um S pichado em cima?” A ideia é justamente consertar essa mania americanizada que nós temos, de que tudo nos Estados Unidos é melhor e aqui é ruim. Portanto fizemos essa “piadinha” que acabou virando nossa logomarca com Z e S.

Fale sobre as atividades recentes da banda, projetos em andamento, etc.

Bom, apesar de a banda ser recente, e ainda estar engatinhando, esse foi um ano repleto de coisas positivas! Participamos do POP, festival no Café Tequila, e fomos campeões, então destinamos parte do nosso prêmio a crianças carentes. Também nos inscrevemos no Festival Universitário Bradesco (FUN Music) e fomos uma das 48 selecionados, dentre as 240 bandas inscritas. Além disso, participamos de apresentações em faculdades, shoppings, casas noturnas, abrimos o show do NX Zero no Parque da Uva, e mais uma porção de coisas legais. Estamos conseguindo firmar nosso nome na cidade com o Projeto do Teatro Mágico, no próximo dia 19. Será a consagração do trabalho de um ano e meio. Iremos arrecadar brinquedos (cerca de 2 mil) que serão doados em um show beneficente no Jardim Botânico de Jundiaí, no dia 23, para encerrar o ano com chave de ouro.

Há algum disco em produção? Fale um pouco sobre as experiências de vocês na produção independente.

Nossas músicas estão sendo gravadas aos poucos, hoje em dia comercializamos nossos CDs por R$ 3,00, nos shows ou pela internet. Temos apenas quatro músicas gravadas. Tudo isso faz parte de uma pré-produção independente. Temos nosso próprio estúdio, onde fazemos as gravações. Pretendemos regravar todas as músicas depois que já as tivermos tocado bastante. Acreditamos que o amadurecimento é o ponto chave para uma boa gravação. Até o final de 2010, pretendemos lançar nosso primeiro CD autoral e, a princípio, gostaríamos de chamá-lo “Alicerce”. Contudo agendamos para o início de 2010 a gravação do nosso primeiro videoclipe. Aguardem!

Como vocês veem a cena musical de Jundiaí hoje? Existe espaço para novas bandas? Poderia haver mais? Como é conseguir apoio para projetos vinculados à música?

Bom, acredito que exista espaço sim, embora muita gente reclame que não. Eu acredito no “ser capaz”! Acho que depende de cada um correr atrás do seu próprio espaço. Os que reclamam são reclamadores de sofá, não se mobilizam para que as portas se abram. Embora a maioria das lojas e shoppings possua portas automáticas, na vida nada se abre sozinho: tem que se esforçar! Quanto ao apoio a projetos culturais, eu tive a oportunidade de trabalhar este ano com a lei de incentivo fiscal ProAc (n.e.: Programa de Ação Cultural, criado pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo), que, diga-se de passagem, na minha opinião é perfeita! É assustador, porém, como as grandes empresas e indústrias desconhecem ou morrem de medo dessa lei. Ela destina a eventos culturais parte dos impostos que as empresas são obrigadas a pagar… como pode ser tão assustadora assim? Enfim, este ano plantamos uma semente… ano que vem cuidaremos para que o fruto venha bem saudável.

O que podemos esperar para o show do dia 19? Aliás, o show de vocês tem também uma preocupação com a presença da banda no palco, com o figurino, fale um pouco sobre isso.

Nós nos preocupamos em prestar homenagens, mas não queremos ser os artistas homenageados. Uma das grandes preocupações é não parecer simplesmente uma bandinha abrindo o show de uma banda grande. Ensaiamos e lutamos duro para mostrar ao público que nós viemos pra ficar, garantimos que, quando o show acabar, os comentários não serão somente sobre o Teatro Mágico. Aposto que vocês vão ouvir “caramba, que banda é aquela que abriu o show? Muito legal”.
Nós usamos macacões como uniforme, como se fizéssemos parte de uma obra (e na verdade fazemos, não é?). Cada um tem sua característica, um mais atrapalhado, outro mais brincalhão, outro mais sério, somos uma empresa cheia de peões que cresce a cada apresentação. Nosso figurino acompanha as cores da nossa bandeira, fazemos questão de exaltar nosso país, acho que somos patriotas (risos). “Faça parte desta obra!” é nosso slogan convidativo. Lembrem-se, não somos apenas uma banda, somos uma obra e precisamos de trabalhadores.

Algo mais que vocês gostariam de acrescentar?

Acho que não muita coisa, apenas que, para quem for no dia 19, prometemos grandes surpresas!!!