[G20] Nós vivemos de crimes financeiros
A poucos dias da cúpula do G20, em Londres, manifestantes anti-capitalismo publicaram, nesta sexta-feira (27/3), uma edição falsa do Financial Times, com notícias de brincadeira sobre o Reino Unido e o mundo. A edição de 12 páginas parodiou o slogan do jornal, “We Live in Financial Times” (nós vivemos em tempos financeiros, em tradução literal) com a frase “We live on Financial Crimes” (nós vivemos de crimes financeiros). Os exemplares foram distribuídos na movimentada estação londrina de Waterloo.
Continue lendo este artigo no sítio do Observatório da Imprensa.
Versão online da edição anticapitalista do Financial Times.
Leia também: Falso New York Times distribuído em Manhattan
Andaluza
às vezes desperto de algum sonho que é também memória de outras vidas das quais herdei meu amor pelos desertos e por aquelas figuras de fogo que dançam aquecendo o ar com sua carne sagrada e sobem ao céu escuro para brincar de guias de andarilhos e amantes clandestinos de lá se lançando e riscando de luz a noite para por fim dormir cobrindo toda a paisagem como se fossem poeira ou neblina pois quando desperto carrego comigo senão saudade de causar inveja a Deus ele próprio sempre tão solitário embora trace a coreografia do cheio e do vazio
Lista suja do trabalho escravo no Brasil
Existe um sistema de consulta online sobre propriedades rurais processadas por submeterem trabalhadores a regime de escravidão. O sítio da Repórter Brasil, onde a lista suja de propriedades pode ser consultada, explica: “A Organização Internacional do Trabalho, o Instituto Ethos e a ONG Repórter Brasil desenvolveram este sistema de busca facilitado com base no Cadastro de Empregadores da Portaria 540 de 15/10/2004 – a chamada lista suja divulgada pelo governo federal. Dessa forma, as empresas signatárias do Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo podem consultar se determinada propriedade está na relação. A ferramenta é de grande importância para que o setor empresarial cheque com rapidez quais fazendas devem ser suspensas das listas de fornecedores.”
Ainda segundo a Repórter Brasil, a lista é atualizada regularmente e, para determinar quais propriedades serão listadas ou retiradas da lista, o seguinte procedimento é tomado: “Segundo as regras do Ministério do Trabalho e Emprego, a inclusão do nome do infrator acontecerá após o final do processo administrativo criado pelos autos da fiscalização. A exclusão, por sua vez, depende de monitoramento do infrator pelo período de dois anos. Se durante esse período não houver reincidência do crime e forem pagas todas as multas resultantes da ação de fiscalização e quitados os débitos trabalhistas e previdenciários, o nome será retirado.”
O jornalista Leonardo Sakamoto apontou, em seu blog, um interessante dado. Cruzando a lista acima com a lista de municípios que mais desmatam no Brasil – responsáveis por 55% do desmatamento na Amazônia Legal no ano passado -, o jornalista verificou que em grande parte dos municípios listados há propriedades processadas por trabalho escravo. “O que não é coincidência, uma vez que trabalho escravo tem sido utilizado na derrubada da floresta amazônica, principalmente para a implantação ou ampliação de pastos e carvoarias”, denuncia Sakamoto.
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Formigas são animais fantásticos
Formigas são animais fantásticos, capazes de viver de forma extremamente organizada apesar da imensa população que habita cada formigueiro. Frankie é uma formiga. Ou melhor, Frankie é a formiga mais ordeira, a que trabalha com mais afinco e dedicação em todo o formigueiro. Frankie é também uma carinhosa babá de larvas, tratando as pequeninas como se ela própria tivesse posto os ovos de onde elas nasceram. Como a vida de qualquer formiga, a vida de Frankie acaba agora, na sexta linha em Times New Roman corpo 12. Por que? Porque algum filho da puta pisoteou Frankie enquanto ela atravessava um caminho de pedras que, por sua vez, atravessa um jardim perto de onde você mora. Porra, será que o babaca não viu que Frankie estava passando? Não, não viu. O babaca, cujo nome, aliás, é Um, atravessou sem olhar para os dois lados, correndo para não per… perdeu. Se fodeu, o ônibus já passou. O próximo só vem depois que os soldados do Rei Dom Sebastião passarem acenando ao povo que os aguarda, pétalas de flor em mãos, nas sacadas dos sobrados. Um vai esperar no mesmo ponto em que você espera todos os dias pelo ônibus que passa em frente ao seu trabalho. Ele liga seja lá que tipo de eletrônico portátil que ele usa para ouvir música e encaixa os fones nos ouvidos. Mas alguém mais quer o eletrônico portátil. Não importa se esse alguém está atrás de algo que possa trocar por cocaína ou por comida. Também não importa se esse alguém simplesmente quer ouvir música em um aparelho eletrônico portátil. O que importa é que o valor do aparelho é o mesmo valor daquilo de que Um abriu mão para poder comprá-lo. Defendendo sua liberdade de consumo, Um leva um soco. Leva um chute. Sente gosto de sangue na boca. Ele enfim tenta gritar, mas tem a cara retalhada por uma garrafa quebrada. A garrafa agora atravessa a banha da barriga de Um. Morto. E levaram o aparelho eletrônico portátil. Algum vagabundo levou o aparelho eletrônico portátil de Um. Dois era o seu nome e ele corria feito um filho da puta. Mas sabe como é vida de vagabundo de rua. Vale menos que a vida de uma formiga. Dois foi atropelado por Três enquanto atravessava aquela rua que passa atrás da sua casa. Foi atropelado porque Três também corria, mas corria protegido por uma exteriorização metálica sobre rodas de sua personalidade. Modelo importado, com kit gás instalado e IPVA pago em dia. O corpo de Dois rolou por cima do parabrisa, mas Três estava pouco se fodendo. Não era a primeira pessoa que ele matava aquele dia. Era, na verdade, a terceira. Antes ele havia matado a própria esposa, que encontrara com o pau do dono do açougue – aquele açougue onde você compra asas de frango já temperadas – na boca. E, para não ser injusto, matou também o dono do açougue. Quatro e Cinco, a mulher adúltera e o açougueiro, vão ter os nomes estampados nas páginas do jornal que você lê toda amanhã. Talvez até suas fotos, ou ainda, as fotos de seus corpos mortos, ganhem um espaço. A matéria já está sendo apurada por Seis, que foi perguntar às autoridades competentes os números da violência na cidade em que você vive.
Gilmar Mendes, o censor
Encontrei a carta abaixo, do jornalista Leandro Fortes, no sítio da revista eletrônica NovaE. Nela o jornalista denuncia o fato de um programa da TV Câmara ter sido retirado do sítio da emissora a pedido do presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes. Ao que parece, o ministro achou pouco interessante o debate sobre a Operação Satiagraha, a CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, as ações contra Protógenes Queiroz e o grampo telefônico com o qual ele próprio estaria envolvido. Bastou então um telefonema ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, para que o programa fosse retirado da internet e da grade de programação da TV Câmara. Nas palavras do autor da carta, uma “submissão inexplicável”.
Dissemine a carta aberta do jornalista Leandro Fortes e não permita que Gilmar Mendes governe o País com suas atitudes.
Carta aberta aos jornalistas do Brasil
19/03/2009 20:54:59
Leandro Fortes
No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.
Nesta carta, contudo, falo somente por mim.
Por uma literatura perigosa
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(tira produzida em software livre)
Banco Mundial e a expansão energética brasileira
A Constituição brasileira já foi considerada, por seu artigo 255, que garante o direito a um meio ambiente equilibrado a todos os cidadãos, modelo a ser seguido em escala global, exceto pelo Banco Mundial e pelo próprio governo brasileiro.
No último dia 5, uma carta assinada por ambientalistas brasileiros e movimentos ambientais e sociais foi recebida pela Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Pamela Cox, e uma cópia foi enviada a diversas autoridades brasileiras, dentre as quais a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A carta pede o adiamento do empréstimo de US$ 1,3 bilhão que seria feito pelo Banco Mundial ao BNDES, destinado a projetos de desenvolvimento ambientalmente sustentáveis.
Mas por que ambientalistas estariam se opondo a um empréstimo cujo objetivo é o fomento de programas ambientais? Este trecho da carta explica:
“Durante a última década, o Banco Mundial outorgou ao governo brasileiro uma série de empréstimos (…). Estes empréstimos tiveram entre os seus objetivos o “mainstreaming” de considerações sócio-ambientais em diversos setores do governo, inclusive o Ministério de Minas e Energia (MME). Infelizmente, este objetivo nunca foi cumprido.”
1/f = 1/p + 1/p’
Chego mais perto de mim que chega mais perto
Através da barreira de vidro e prata
Expiro – embaço – quase sumo
Ao me afastar, me afasto de mim
Então cruzo olhares comigo
Mostro meus dentes para mim
Olho dentro da minha garganta
Falo em uníssono comigo
Mas não me toco
Anatel e PF voltam a reprimir rádios livres
No dia 19/02, às 5 da manhã, doze agentes da Polícia Federal invadiram e vandalizaram as instalações e apreenderam o equipamento da Rádio Muda. A rádio funciona há mais de 20 anos no campus da Unicamp em Barão Geraldo, Campinas-SP, e é gerida por um coletivo de pessoas de diferentes áreas mas com um interesse comum pela comunicação democrática, livre e de qualidade.
Informe-se:
Editorial do Centro de Mídia Independente
Nota pública contra o fechamento da rádio Muda
Manual Rádio Livre (documentário em curta metragem sobre rádios livres): Parte I | Parte II
Participe:
Rádio Muda Manifesta
Pessoa, o mago
(trecho de artigo publicado na Revista Eclética no. 23 em colaboração com Bruno Delecave)
Se Fernando Pessoa dispensa apresentações, há um lado de sua figura pouco conhecido do público em geral. Em carta a sua tia Anica, o poeta afirma: “Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos e em existências de diversos graus de espiritualidades”. Pessoa dizia-se um cristão gnóstico e, iniciado nas tradições místicas, estudou a fundo astrologia e pensou até em estabelecer-se em Lisboa como astrólogo. Em dezembro de 1929, Fernando Pessoa escreve para a Mandrake Press, editora de Aleister Crowley, o famoso mago negro inglês, apontando um erro em seu mapa astral: “Se tiverem, como provavelmente têm, oportunidade de comunicar com o Sr. Aleister Crowley, talvez possam informá-lo de que o seu horóscopo não está correto e que, se ele admite que nasceu às 23h e 16m. 39s. de 12 de Outubro de 1875, terá Carneiro 11 no seu meio-céu, com o correspondente ascendente e cúspides. Encontrará então suas direcções mais exactas do que provavelmente encontrou até agora.”
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